sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

" ...estou morrendo aos poucos" (8)

Narração: Autora

" ... Quando você vai embora os pedaços do meu coração sente falta de você, quando você vai embora o rosto que eu conheci também me faz falta, quando você vai embora as palavras que eu preciso ouvir sempre ao longo do dia e fazer tudo ficar bem... Eu sinto a sua falta"


Era mais ou menos assim que Carol se sentia, mesmo depois dos dois anos... Isso mesmo, dois anos. Sabrina ligou, chorou, tentou... Mas ela simplesmente decidiu que seria melhor assim. Cada uma tentou seguir sua vida do seu jeito. Carol ficou em Goiás, arrumou um emprego por lá, morava num apartamento pequeno. Não tinha amigos, não conhecia ninguém, então se entregou de novo a bebida.

Sabrina? Voltou a fazer faculdade. Arrumou um emprego e voltou a morar com a amiga. E qual não foi a surpresa? Ela arrumou uma namorada. Sim, ela estava namorando outra pessoa. E Carol nem sequer sonhava isso...

Carol ONN

Como minha rotina de todos os dias a noite eu estava sentada no bar tomando mais uma garrafa de qualquer bebida que eu pudesse comprar. A dona do bar era a unica pessoa com quem eu falava as vezes. Era uma mulher de meia idade, mas que tinha um corpo escultural e um rosto lindo. E aquela noite eu senti que ela queria alguma coisa comigo. O nome dela era Margarida, mas nós só a chamávamos de Meg.

Meg - mais uma dose?

- Sempre

Meg - hoje você parece pior

- Eu não consigo tirar ela da cabeça

Meg - quem?

- A Sabrina

Meg - Carol, já faz dois anos que você frequenta esse bar, você se afunda nas bebidas todos os dias por causa dela

- O que você quer que eu faça? Eu não consigo deixar de ama-la, mas não posso te-la pra mim

Meg - ela terminou com você?

- Não quero falar disso

Meg - você nunca fala, não seria bom desabafar um pouco?

- Não. E me serve outra vodka que essa aqui acabou... Ou melhor, tem um violão pra me emprestar?


Carol OFF

Enquanto isso, em outro lugar...

Sabrina ONN

São 23:00, e eu acabei de sair da cama da Jeny... Ela é minha namorada. Mas a quem eu tento enganar? Eu tento levar uma vida normal mas não da, tudo me lembra a Carol, mesmo depois de todo esse tempo. Eu to indo embora porque acabamos de brigar... Eu a chamei de Carol. Ela sabe da minha historia com ela, e essa não é a primeira vez que isso acontece. Acho que eu preciso de terapia. Quando cheguei no apartamento Bianca e Bruna estavam quase se comendo no sofá... sim, aquela Bruna amiga da Carol

- Com licença

Bianca - Sabrina? O que você ta fazendo aqui?

- Eu moro aqui?

Bianca - achei que você ia dormir na casa da Jeny

- Eu também achei. Com licença

Eu fui pro meu quarto, não quero dar detalhes do que aconteceu na frente da Bruna, tenho certeza que a Carol ainda fala com ela. Eu tomei um banho quente e me sentei na cama. Abri uma gaveta e pequei uma caixinha. Destranquei a caixa e fiz o que eu fazia todas as noites: peguei todas as minhas fotos com a Carol, lembrei de cada momento, de cada instante eu que eu realmente fui feliz, e chorei na esperança de ficar menos sufocada com a ausência dela. Mas como sempre foi tudo em vão. A um tempo atraz eu tinha esperanças de que ela voltasse pra mim, e as coisas fossem como antes. Mas hoje eu percebo que isso não vai acontecer. Guardei aquelas lembranças numa caixa, tomei um remédio pra conseguir dormir, e apaguei...

Sabrina OFF

Carol ONN

" Só você pode entender o que eu sinto agora, só você pode mudar o fim dessa historia, só você pode fazer o meu coração bater de novo, porque sem teu amor, estou morrendo aos poucos"  (KLB- Estou morrendo aos poucos)

Era o que eu terminava de tocar no violão, e dessa vez sem conseguir mais manter a minha pose de durona e deixando as lagrimas descerem, afinal, o álcool que estava em mim não era o suficiente pra me fazer outra pessoa, não ainda.


Meg - é horrível te ver assim

- O que eu posso fazer?

Meg - ir atraz dela

- Isso eu não posso

Meg - e porque não?

- ... Nada

Meg - me conta, eu juro que eu tento te ajudar

- ...Ta bem


Então eu contei a ela, tudo, inclusive o meu segredo. Ela ouviu com atenção e não pareceu se chocar com nada.


Meg - sabe, eu entendo o seu lado, mas você não acha que deveria confiar um pouco mais nela?

- Como assim?

Meg - Carol, vocês estavam juntas, você tinha que confiar nela e contar o que tava acontecendo

- Mas isso ia me forçar a contar o segredo. E ela não ia querer nada comigo depois disso...

Meg - por mais chocada ou seja lá o que for que ela ficasse, se ela te ama de verdade ela não ia te deixar e sim te apoiar

- ...

Meg - olha, vai pra casa ta? Toma um banho e descansa e pensa nisso que eu te falei. Pode ser que ainda não seja tarde, pode ser que ainda exista uma chance pra vocês duas, só precisa que você tente.


Eu não disse nada, apenas me levantei, paguei a conta e saí. Eu não sei se ela tem razão, não sei se eu devo voltar... Já cometi muitos erros, e se esse for mais um não quero faze-lo.
Quando cheguei tomei um banho frio... É o único que tem por aqui, já me acostumei. Eu trabalharia amanha então deixei todas as minhas coisas arrumadas, já era tarde e não queria perder tempo.
Antes de dormir fiquei parada em frente a janela olhando para aquele horizonte feio e poluído, tentando imaginar do outro lado desse inferno ela, linda, me esperando, dizendo que me ama e que me quer de volta...


Um comentário: