sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Um Pouco Da Historia Dela
Não basta só me conhecer. Ela também é parte dessa historia... Sem ela não existiria historia. Então vou contar um pouco sobre ela.
É a terceira filha de uma uma família de cinco filhos. Nascida e criada no recife ate os 7 anos, quando se mudou pra Porto Alegre.
Uma família de classe média, que vivia numa casa pequena num lugar mais calmo.
Aos 18 anos saiu de casa... Na verdade não faz muito tempo, já que ela tem 19. Não se dava muito bem com o pai, pelo fato de ele não aceitar a sua opção sexual... Sabrina é lésbica...
Narração: Sabrina
Eu fiz questão de sair de casa, não aguentava os maus tratos do meu pai. Eu e uma amiga alugamos um apartamento juntas. Eu comecei a trabalhar pra poder pagar a minha parte e paguei um cursinho pra mim... E deu resultado. Passei no vestibular, jornalismo.
Sempre gostei dessa área, e agora que tenho chances de estudar, melhor ainda.
Era primeiro dia de aula na faculdade. Eu, minha amiga e outras colegas nossas fomos... Todas faríamos faculdade no mesmo lugar.
Nesse dia chovia muito, muito mesmo. Não temos carro, quem dera esse privilégio. Quando descemos do ônibus apesar de estar na porta da faculdade nos molhamos todas.
Eu mais quieta com meus livros na mão tentava apenas me esquentar.
Então eu a vi. Ela estava com outra garota encostada em um canto. Seus cabelos curtos e lisos colados no rosto, seu jeans completamente molhado, e sua blusa colada no corpo.
No momento em que olhei-a pela primeira vez, ela já olhava pra mim. Alguma coisa naquele olhar me prendeu de uma forma que meu cérebro não comandava mais meu corpo.
Ate que a Giovanna, minha amiga, me sacudiu me despertando daquele transe. Então ouvi um sinal tocando, uma multidão se arrastando em direção a sala. Eu deixei aquele corredor olhando pra ela a todo minuto, e ela também olhava pra mim. Então quando o corredor terminou naquela esquina maldita, meus olhos se perderam dos dela. De longe eu só via uma chuva fria que caía, e eu quase empurrada pela multidão, me guiava em direção a minha sala.
Narração: Carol
Eu ainda fiquei algum tempo em transe. Pensei em correr atraz dela e perguntar seu nome... Mas porque? Com que propósito eu faria isso?
Voltei de novo naquela chuva, mas dessa vez sem correr, dando pequenos e curtos passos em direção ao meu carrinho no estacionamento. " Acho que terei de manda-lo para o lava-jato" foi o que passou quando me dei cona que estava me sentando no band molhada e com os pés sujos de barro.
Quando cheguei em casa, fui tirando minha roupa e largando pelo caminho que fazia até o banheiro. Nunca fiquei tão feliz em 'ver' água quente.
Me sentei debaixo do chuveiro e deixei a água descendo um tempo. Depois realmente tomei um banho, depois me sequei e vesti o roupão.
Fui pra cozinha assim, fiz um chocolate quente, e fiquei na sala de boa curtindo o friozinho que tava fazendo. Até que meu celular tocou... Era um trabalho novo.
É, pelo visto a minha boa vida acabou agora. Eu teria de estar no lugar marcado em menos de uma hora. Vesti uma roupa melhorzinha, me arrumei e fui.
Era um trabalho um pouco longo, mais ou menos uma semana. Um book de uma garota lá. Eu claro que topei já que a revista não me chama a um tempo e meu dinheiro está acabando.
Quando saí já era próximo de meio dia... Sim, já era essa hora. Então quando voltava pra casa recebi uma ligação, era Bruna.
* Ligação *
Carol: oi linda
Bruna: oi amr, aonde você tá?
Carol: tava vendo uns trabalhos aí, porque?
Bruna: posso ir pra sua casa hoje? Eu e uma amiga minha aqui da faculdade ou você ta muito ocupada?
Carol: Meu Deus, já fez amizade. Não, hoje eu não tenho nada pra fazer, podem vir sim. Se quiser eu busco aí
Bruna: agente quer sim
Carol: então daqui a cinco minutinhos já to aí, me espera na porta
Bruna: ta certo. Beijão
Carol: beijo linda
* Ligação *
Eu por sorte tava perto da faculdade dela. Não demorei mais de cinco minutos pra poder chegar lá. De longe avistei ela com uma garota que não reconheci porque estava de costas. Saí do carro e fui ao encontro dela, quando cheguei meu corpo paralisou... Era a mesma garota de hoje de manhã. E novamente o mesmo aconteceu, alguma coisa prendeu nossos olhares. Bruna não sei se percebeu, mas fez aquela tosse tipica de quem incomoda e então nós voltamos a realidade.
Bruna: Carol, essa é a Sabrina minha amiga aqui da faculdade. Bina, essa é a Carol, a amiga que eu falei
Nos cumprimentamos com dois beijinhos. Quando senti sua pele macia tocando a minha, uma corrente elétrica passou pelo meu corpo.
Sabrina: prazer
Carol: o prazer é todo meu
Levei elas pra minha casa. Fiz uma comida gostosa, passamos o dia conversando sobre diversas coisas. Sabrina era muito animada, até mais do que a Bruna, tivemos um dia ótimo. A noite fui leva-las em casa. Primeiro deixei Bruna porque era mais perto, e depois Sabrina. Ela morava em um apartamento um pouco longe do meu...
Sabrina: é aqui nesse prédio
Carol: bom mocinha, está entregue.
Sabrina: você não quer subir?
Carol: melhor não, eu trabalho amanha e é melhor descansar. Outro dia com certa.
Fomos nos despedir e então um pequeno acidente aconteceu. Nossos rostos se viraram para o mesmo lado, e o beijo que seria no rosto acabou virando um celinho.
Eu não sabia o que falar, fiquei quieta, sem reação. Ela sorriu tímida e depois saiu rápido do carro. Eu ri da situação e tratei de ir logo embora. Onde já se viu?
domingo, 23 de outubro de 2011
Um olhar na multidão.
Eu não esqueço nunca da primeira vez que a vi. Ela era jovem, assim como eu. E me fez querer ter um futuro brilhante ao lado dela, como o dela...
Mas antes vou contar um pouco da minha vida infeliz e amarga.
Nasci em uma vila simples, de pessoas mais simples ainda. Numa família de uma mãe moderna que deixou todo um futuro na cidade pra viver numa cidadezinha com o marido, rustico e grosseiro, tipico dos campos.
Do casamento deles nasceram tres filhos:
George, o mai velho. Quando cresceu optou por fazer medicina, passou no vestibular em segundo lugar na universidade federal do estado onde moravam. Concluiu a faculdade, e hoje com 28 anos, é medico do hospital local. É casado e tem duas filhas pequenas.
A do meio, Mariana. Sempre foi a mais amorosa dos tres filhos do casal. Com um dom fora do comum, aos 11 anos já viajava pelo mundo esbanjando talento em suas apresentações de balé. Hoje, apesar de não ter a melhor condição do mundo viaja por vários países levando a sua arte, juntamente com seu empresário que é também seu marido.
E por fim, vamos falar da ultima e mais miserável dos tres... Eu.
Eu nasci em um momento em que a família não queria mais filhos, passavam por grandes dificuldades financeiras. Mas mesmo assim decidiram me ter.
Eu nunca fui uma criança normal e acho que todos percebiam. Mas começou a se acentuar na adolescência.
Eu sempre rasgava minhas roupas, usava maquiagens fortes. Comecei a beber cedo... Mas sempre odiei fumar.
Eu sempre apanhava do meu pai por isso, e o dia que ele descobriu que eu gostava de garotas... Passei dois dias no hospital. Essa foi a gota d'água pra mim. Eu tinha dezoito anos quando isso aconteceu. Saí de casa e fui tentar a vida em outro lugar... Fui pra Porto Alegre, bem longe de onde eu estava.
Tinha tudo pra dar errado. Tinha pouquíssimo dinheiro, sozinha num lugar que eu não conheço... Mas consegui dar a volta por cima. Aluguei um AP pequeno pra mim e logo consegui um emprego. Quando já estava mais estabilizada, aluguei um apartamento um pouco maior e comecei a fazer um cursinho. Um ano depois tentei uma prova da universidade federa, e adivinha só? Eu passei!
Fui fazer fotografia... Sim, uma coisa que eu sempre gostei. Minha vida foi entrando nos eixos aos pouquinhos. Arrumei bons empregos a medida que fui terminando a faculdade. Hoje digamos que estou com uma vida até boa... Tenho 24 anos, trabalho pra uma revista de moda alem de alguns trabalho que faço por fora.
Hoje tenho um AP duas vezes maior do que o que eu tinha, e tenho carro também. Nao é um carro novo mas da pra conta. Mas eu ainda quero crescer mais na vida, e eu sei que com muita força de vontade eu consigo... Mas isso aqui não é a historia de uma escalada social, mas uma historia de amor... Sim, uma historia de amor.
A primeira vez que a vi chovia, chovia muito. Tinha chegado na faculdade a poucos minutos, fui levar uma amiga no seu primeiro dia de aula. Sim, uma amiga. Nos conhecemos assim que cheguei aqui, ela era muito nova e logo começamos uma amizade muito legal. Ela mora a poucas casas da minha, e decidi dar essa força pra minha 'irma mais nova'.
O estacionamento ficava um pouco longe da cede da faculdade, eu estava sem guarda chuva nem nada do tipo. Então fomos correndo mesmo, mas correndo muito. Quando chegamos, encostamos em um canto e começamos a rir feito loucas. Foi então que eu a vi... Num canto, toda molhada também, seus cabelos presos, livros na mão e um sorriso lindo, fora do comum, mesmo naquele caos.
Por um momento rápido pude ver nosso olhares juntos, parece que alguma coisa nos prendeu.
Alguém a 'acordou' do transe também me fazendo despertar... Talvez alguma das amigas dela.
Logo ouvi um barulho, um sinal de entrada. Bruna, minha amiga, me deu um beijo na bochecha e se juntou com as outras pessoas na multidão do corredor.
Eu vi a linda garota se perder na multidão, olhando pra mim de tempos em tempos. E por fim só restou eu, e a chuva que caía....
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